É verdade que todos os cubanos têm saúde, educação, alimentação e segurança. E, sim, andam com carros velhos, bem velhos! No entanto, os buracos nos bancos, a falta de manivela das janelas e o motor velho não impedem os carros de terem ar-condicionado.
Alguns, inclusive, transformam-se em taxis “luxuosos”. Com ruas de cidades históricas bem preservadas, você pode escolher entre fazer os passeios nos carros antigos, tendo um cubano como guia turístico, com boas caminhadas, a cavalo, e até de bicicleta.
Mas, voltando aos carros, cubano não pode ter carro novo, os carros são heranças de família. Isso na teoria, claro, já que existem bons carros pelas ruas, todos com placas particulares. Acreditamos que sejam de altos cargos do governo. E vindo do governo é de se estranhar, já que é controverso ao que prega o comunismo.
Além de carro, cubanos também não tem casa ou negócio próprio, tudo é propriedade do governo. Restaurantes, hotéis, padaria, fábricas, lojas, tendas, a terra, as frutas, pescados, os cavalos usados pelos fazendeiros, tudo mesmo.
E, sendo assim, não é de se estranhar que sejam proibidos também de comer carne de boi, lagosta e camarão. É preso quem matar um boi ou comercializar esses tipos de carne, que são destinadas metade para exportação, metade para o consumo interno de turistas.
A sentença para quem matar uma vaca é quase igual à de matar uma pessoa, mas não pior do que ir contra o governo — este sim, ser preso político, é o pior crime de todos.
Em contrapartida, a segurança é garantida, não há um lugar em que a polícia não possa entrar. Um fazendeiro me perguntou sobre a violência no Brasil, falei das favelas e ele não conseguiu entender o poder dos traficantes, drogas e armas.
Lá todos têm acesso à educação e os professores são bem preparados. As universidades são boas e recebem muitos estudantes estrangeiros. Pelas ruas conhecemos um africano, estudante de arquitetura, e um cubano, que está se formando em Contabilidade.
Mas, como ambos disseram, não importa a dedicação aos estudos ou a profissão escolhida, os salários são praticamente iguais para todos, em média US$15,00 por mês. Como a desigualdade social é baixa, um professor pode chegar a ganhar apenas US$ 2 mais do que um atendente de restaurante, por exemplo.
Por outro lado, todos têm oportunidades de trabalho, ganham uma moradia e uma cota de alimentos. A comida é controlada por uma cardeneta de papel, fortemente controlado pelo governo. O que recebem em dólar é extra, podem comprar roupas, eletrônicos e mais comida, o que desejarem.
Porém, como disse um morador de Trinidad, que nos recebeu em sua casa, o que o governo dá não é suficiente para manter uma família com filhos pequenos. E comprar algo a mais é muito caro. Fazendo uma comparação grossa, se todos ganhassem R$2.000,00, seria algo como comprar um cacho de banana por R$20,00.
Pelas ruas éramos frequentemente abordados: “Ahh! As novelas brasileiras…”. de tanto ouvirmos a expressão já sabíamos: este era o assunto certo para iniciar um diálogo com qualquer cubano, já que toda família cubana assiste às novelas.
Uma senhora nos perguntou sobre os supermercados no Brasil, pois sempre vê nas novelas as atrizes comprando as melhores e mais variadas frutas e marcas. Enxergando aquela realidade, onde os mercados são micro comércios, é difícil explicar como no Brasil um supermercado chega a ter 200m e apresentar tanta variedade.
Há cidades, como Trinidad, fundada por espanhóis, que pararam no tempo, com todo o charme e elegância. As ruas e casas são as mesmas da década de 50. É impossível andar por uma rua sem tirar sequer uma única foto.
A região de Piñar del Rio possui um cenário natural único, cercados por mongotes — pequenos morros, achatados, vestidos por uma vegetação — e fazendas, onde a principal produção é o tabaco. É de lá que o fumo sai para virar os famosos charutos cubanos.
Um passeio à cavalo entre os mongotes e plantações nos levou a conhecer um fazendeiro que explicou todo o processo para a produção do charuto: o fumo é secado por três meses, acompanhado de limão, especiarias, mel e rum; vendido para as fábricas de tabacos do governo, como a Monte Cristo, Romeo & Julieta e Cohiba.
As praias cubanas são maravilhosas. Sua areia branca e mar azul fazem com que qualquer um se sinta no paraíso! O povo é culto, frequenta bibliotecas, museus e vai ao teatro prestigiar o Balé Nacional de Cuba, um dos maiores do mundo.
Alem disso, todos têm muito orgulho pela revolução e, a grande maioria, festeja o dia de 26 de julho. Todos os anos, nessa data, é escolhido algum ponto de Cuba para haver um pronunciamento do seu líder máximo, antes de Fidel e, agora, de Raul Castro. Há muitos fidelistas.
Um passeio que revela detalhes da revolução, do plano de assalto ao Quartel Moncada, as marcas de tiros nas paredes, as estátuas, os museus cheios de fotos e documentos. O povo orgulhoso e receptivo.
Uma viagem única.








